Este blog faz hoje um ano. Parece que foi ontem mas isto em anos de borboleta é uma eternidade… são vidas e vidas.
Fruto de um grito de socorro, de uma alma perdida num vendaval de emoções, sem a capacidade para levar o barco a bom porto. Numa altura em que a palavra me era vedada, por minha culpa, minha tão grande culpa, socorri-me da imensidão que este espaço me apresentava. Amigo quando precisei, confidente quando desejei, companheiro que ansiei em horas de algum martírio. Com ele, criei hábitos, estabeleci ligações e deixei-me entrosar por rotinas. Mas a vida é assim, um dia atrás do outro sempre com a esperança que amanhã seja melhor que ontem e que este dia, que vamos vivendo, chamado hoje seja o depositário de um sorriso em cada esquina que dobramos. A cada momento, surgem novas oportunidades, umas deixamos que passem sem se deterem, outras fogem antes que as agarremos mas lá vai havendo uma vez ou outra que vamos conseguindo sacar para a algibeira.
Podia invocar a minha recusa sistemática em deixar-me envolver por rotinas, por necessidades diárias impostas por outros, podia invocar mil e uma razões mas todas no fundo são razões esfarrapadas e que soam a meias desculpas. Não o farei. Este blog surgiu porque assim o desejei, porque assim o quis, serviu-me com uma bóia de salvação num mar revolto e agora percebo que pouco mais ele me poderá dar e pouco mais eu poderei dar a ele. Nunca escrevi só por escrever, tudo o que escrevi tem uma razão e muitas vezes, quase sempre, uma história por trás. Houve sempre um destinatário, nem que fosse eu próprio o destino do que fluía.
Ando a adiar há muito tempo dois projectos que também passam por aqui. Um deles já foi, por mim aqui ensaiado, e vai ser, daqui para a frente, a minha princesa porque é um projecto de princesa. Esta ideia teve origem há mais de um ano atrás, quando fiz um outro projecto para a princesa. Vai ser agora, não por razão nenhuma, apenas porque me apetece.


Esse projecto está aqui. Ainda não sei bem como vou gerir isto no futuro, se fica público ou privado mas com isso preocupo-me quando for altura. O outro projecto vai ser a recuperação de uma antiga paixão pela qual me voltei a apaixonar recentemente mas esse ainda não passa de um esboço mental.
A vida, a outra, a lá de fora, exige de mim, neste momento, mais do que aquilo que consigo dar mas é assim mesmo que gosto de viver… no máximo e com desafios. Tenho a curto médio prazo, três enormes desafios ou projectos que não sendo de vida podem ser para a vida e também eles ajudaram nesta minha decisão que não é, nem poderiam ser, colocar um ponto final. Porque o Baralho é o meu cantinho, quase um confessionário e sei que sempre que assim me apetecer hei-de aqui voltar mas ao meu ritmo e com a minha música.
Aqui fica uma mera e simples virgula,
Até já.

Porta Pipis no Piolho Baralhado

A minha vida na blogosfera não é de agora, começou no inicio de 2005, como uma pequena brincadeira juntamente com uma amiga com um espírito igualmente irreverente e criamos o PIPI. Abrigados atrás da comodidade do anonimato deixámos os nossos espíritos livres e não havia balizas nem regras… apenas o bom senso de tentarmos, nem sempre conseguindo, não passar os nossos próprios limites. Recordo com saudade os posts bem apimentados que provocavam as mais variadas reacções de quem nos lia, e eram muitos, demais para meu gosto, e uma brincadeira começou a dar mais trabalho do que prazer e foi altura de dar o salto. Egoísta, deixei o PIPI entregue à minha companheira de armas, tarefa que ainda hoje cumpre com afinado rigor e bom gosto. Recordo o meu ultimo texto… um roteiro erótico pelo sul do país, texto esse que ainda é um dos mais lidos hoje em dia.
Beijo enorme em ti, Sissi. Finalmente assumi e sai do armário… Sorriso!!!!!!
Ao mesmo tempo, e num universo completamente paralelo, tive o prazer e orgulho de pertencer a um muito restrito grupo de pessoas que participou num dos mais globais projectos locais. Foi um blog que teve o seu tempo, durou pouco mais de um ano, mas foi um fenómeno nacional. De Coimbra para o mundo, navegamos em águas profundas, poucas vezes encalhamos e só quem lá andou sabe o quanto aquilo teve de prazer mas também de trabalho. Afinal poucos blogs há que, ainda hoje, se podem gabar de, em menos de um ano, terem 1.000.000 (um milhão) de visitas. É obra! Este blog redundou num livro que tem como texto inicial um dos textos que mais inveja me provoca.
Depois passei para o outro lado, o lado dos que prazeirosamente percorrem os cantos alheios até que uma necessidades superior exigiu de mim uma escapa. Fui estando por blogs alheios, mas que também são meus, alguns até geograficamente como o Piolho. Mas não chegava… Existia uma vontade de deixar sair o que não conseguia conter cá dentro. E por necessidade, uma mera necessidade intrínseca, surgiu o Baralho. Decidi expor-me ao mundo para não ter de me expor ao meu mundo. Porque é sempre mais fácil expormo-nos ao vento do que levarmo-nos com o vento na cara.
Mas sobre o baralho…
…Falo amanhã!

As pessoas não mudam.

Cada vez penso mais que não é nada importante onde estás,
para onde irás a seguir,
com quem estarás.

O que realmente interessa és TU.

É seres como és, pois isso é a única coisa que me importa.
E assim, o que decides, estará sempre bem!

“Sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura...” F.Pessoa

O Sonho

O sonho
pedaço pequenino de céu
que nos fica na memória,
depois de uma noite calma,
quando abrimos os olhos
por entre lençóis.
Deixa para trás um sorriso
chega a durar um dia inteiro, inteirinho
até que a Lua novamente nos convide a cerrar os olhos.

O Sonho
aquele momento
que deixamos tudo para trás
e somos águia
que voa no alto,
somos leves,
penas ao sabor do vento.

E aí, por breves momentos,
o nosso Sonho é somente
a nossa vida,
liberta,
sem compromissos,
agendas e complicações.

Não há tempo,
não há regras feitas,
não há consequências.

Que bom que é o meu sonho.

Faz-me viver,
faz-me respirar,
mostra-me o que tenho de melhor.
Mas deixo tudo lá - no sonho.
Até que outra vez volte a sonhar.
Ninguém escolhe o que sonha.
Os sonhos vêm quando querem
resta-me o travesseiro
fofo
para que na nossa noite sem sonho,
tenha um sono descansado.

Outra vez o amor... Esse sacana!

Ninguém ama pelas qualidades que o outro tem, senão os honestos, simpáticos e não fumadores estavam garantidos.O amor não é racional, não obedece à razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia, por cumplicidade, por magnetismo, até por conjugação estrelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem ou é do Sporting.
Isso são só babelas.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que revela quando menos se espera.

Amas aquele desavergonhado.
Mandas dúzias de mensagens e ele não responde, fazes surpresas que ele nem dá valor.
Gostas de paz e ele de confusão, gostas de um Pôr-de-sol e ele de uma PS3, não ligas às datas e ele anda de calendário no bolso, nem nos ódios as coisas combinam.
E então?

Então, ele tem um jeito de sorrir que te deixa imobilizada, o beijo dele é pior que droga, adoras uma briga com ele e ele adora implicar contigo.

Isso tem nome.
Amas aquele parvo.
Ele diz que vai e não vai, veste o primeiro trapo que encontra e nem se fala do cabelo. Ele não tem responsabilidade nenhuma, sempre perdido, e sem tacto para nada.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e mesmo assim não consegues despachá-lo.

Quando a mão dele toca na tua nuca, ficas derretida. Quando encosta na tua pele sentes-te voar.
Ele escreve umas coisas, adora o campo e surfa no mar.

Por que amas assim?

Não me perguntes. És inteligente. Lês umas coisas...
Ah, o amor, esse sacana.

Que bom que era que o amor não fosse um sentimento, mas somente uma equação matemática: Tu linda + ele inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim. Amar não requer consultas prévias nem pedidos de orçamento.

Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos aos pontapés, educados e bons pais de família, resmas deles!

Mas ninguém consegue ser do jeito que ele é! Valia a pena pensares nisso...


Roubado e adaptado de A. Jabor - outra vez

lost-in-translation



"The problem with dating dream girls is that they have a tendency to become real."

Or not!

E por falar em declarações de amoree...

Eu sabia que algo havia que estava a fazer mal, por isso o meu karma.


Por mais gajos e gajas que eu curta...
Um cafunézinho… talvez!




Por mais Damas que eu tenha tido até hoje... Percebes isso ou não?



Todas as cartas de amor o são...

Declaração de amor...

... por carlos Drummond de Andrade




Porque me apetece!
E porque ele consegue escrever como eu nunca sonharei fazer...

Desafio

Não é todos os dias que tenho a oportunidade de juntar o Élio Santiago e Fernando Pessoa no mesmo local mas lá calhou.



"Todas as cartas de amor são ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,
Ridículas.

É que são Ridículas.

(...)
Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são Ridículas."





E esta aberta uma semana dedicada ao amor...

As coisas que eu descubro no meu baú

Não sei de onde isto veio mas fiquei encantado.






(...)"y dicen que si una puerta se cierra se abre otra no se mas grande mas bonita y mas facil que ayer"(...)



(...)"Y puede ser que me equivoque otra vez y puede ser que vuelva a perder, pero la vida me dice que me toca a mi eso de sentirme bien"(...)


E que tal pensar-se numa prenda?

O Baralho Baralhado está quase a fazer um ano.

Não sei se está velho se está novo, nem sequer me interessa.
Como sempre disse, e como sempre pensei, este blog era antes de mais uma atitude egoísta da minha parte. Uma dependência minha para que pudesse chegar a uma independência honesta sem que daí adviesse maleitas para terceiros.
Escrevi, escrevia e ainda hoje escrevo para mim. Agradeço aqueles que vão tendo a paciência de me irem lendo , facto que me motiva e dá alento.

Ultimamente não tenho escrito muito, aliás, não tenho colocado muito posts. Continuo a escrever com igual ânsia e prazer. Mas há alturas em que a nossa pena é demasiado permissiva e isso coíbe-me de depois aqui largar o que vai surgindo.

Apesar disso, fui juntando uma série de pequenos rascunhos, sem lógica aparente e que se foram acumulando no back-office aqui da blogolândia.
É altura de deita-los cá para fora, sem ordem, sem lógica, apenas ao ritmo de um por dia, à hora do costume, até dia 21 deste mês.
Dia de aniversário.
Até lá, por aqui vai ficar o meu scrapbook, tudo aquilo que fui guardando para um dia deixar por aqui mas agora é hora de fazer uma limpeza ao sótão.

E vou esperar ansioso por um presente de aniversário.

Dulsão do Brasil

Sábado
10h50
Bexiga apertada
Remela nos olhos
Cabelos à beira de um motim


Saboreia-se...
De olhos fechados, escuta-se,
De pés descalços na fresca relva... sente-se o sol da manhã.
Há coisa que saiba melhor?
Há...
Mas não é agora!!

Borda de Água

Ontem criticaram-me porque não ligo nada às datas. Ora aqui está algo que não sou capaz minimamente de concordar… porque ligo. Aliás, até acho que ligo demais, apesar deste meu estado de constante alheamento de tudo o que se passa à minha volta.
Estas coisas das datas tem algo que se diga porque, seja por divina coincidência ou mero acaso, todos os acontecimentos relevantes da minha vida têm o hábito de se concentrarem num particular período do ano. Com excepção de dois, e que dois, todas as coisas que me marcaram profundamente acontecerem sempre na mesma altura. Dizem que a Primavera é um período de enormes mudanças onde da terra brota toda a energia acumulada ao longo de meses e meses de frio invernal.
Aparentemente também eu ando ao sabor da natureza… é nesta altura que as grandes marcas são feitas. Sejam elas tiros de canhão ou meras rajadas de pólvora seca. É lá que começa… é lá que acaba… é lá que se muda… é lá que se enterra.
E este ano também não foi excepção…
Não me venham com conversas que não ligo às datas.

Quote

"It has been said, 'time heals all wounds.' I do not agree. The wounds remain. In time, the mind, (protecting its sanity), covers them with scar tissue and the pain lessens. But, it is never gone."

Rose Fitzgerald Kennedy

AMO-TE... NÃO DIZ TUDO!

Sabes que és amada porque te disseram isso?

Amar requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentires-te amada é sentires que o outro tem real interesse na tua vida,
Que zela pela tua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão bem,
Que está lá para ouvir tuas dúvidas,
Que te dá um safanão quando é preciso.

Ser amada é quando ele se recorda de coisas que contaste há dois anos atrás,
É ver a tristeza dele pela tua tristeza,
É ver o sorriso delicado quando te diz que estás a exagerar.
Sentes-te amada quando numa discussão não te mandam à cara magóas passadas.
Sentes-te amada quando te sentes aceite, quando te sentes inteira.
Sabes que tudo pode ser dito e compreendido.
Sentes-te amada quando te sentes segura para ser exatamente como és,
Sem inventar uma personagem na relação,
Nenhuma personagem aguenta muito tempo.
Sentes-te amada quando não ofegas, mas suspiras;
Quando não levantam a voz, mas falam;
Quando não concordam, mas escutam.

Agora, senta-te e escuta:

Amo-te... não diz tudo!

"Para conquistarmos algo na vida não é necessário, apenas, força ou talento; é preciso, acima de tudo, ter vivido um grande amor"

Arnaldo Jabor (adaptado)

Montanha Russa

Há dias assim.


Começam bem com sol na eira, depois vem a chuva pelo caminho.
No almoço sai uma história que deixa-me o interior numa revolta imensa,
Depois mais um encontro
Mais um sorriso.


Mais tarde, no inicio da tarde outra conversa, curta de meias palavras e frases que me deixa outra vez completamente em baixo.


Porra! Que dia...


Depois, do nada, sem que assim se anunciasse... brilha-me o monitor com isto.





O dia não passou a ser um bom dia mas abriu-me um sorriso.

Bom dia!

Curioso

Como aquele puto de Lousada, que ainda hoje me trata por Padrinho, ainda me consegue surpreender.

Um destes dias... um destes dias.
A promessa será cumprinda!

Corolários de Murphy…

… Ou os ensinamentos que vamos colhendo todos os dias

Se existir um Português é seguro que existem mais dois ou três;
Quanto mais imprópria for a situação em que nos encontramos, maior é a probabilidade de se encontrar um Português;
Se a situação for realmente embaraçante é seguro que esse Português será um conterrâneo;
É deveras embaraçante um casal alemão numa sauna pensar que somos italianos.

Até já

Vou procurar o meu Norte.

No antípoda

(k) e [ ]

Os teóricos

Aprendi, ao longo dos anos, que o mundo está repleto de teóricos e das suas teorias. Em teoria económica existe uma situação em que qualquer consequência de uma decisão tem uma conjectura proveitosa. Ou seja não há más decisões, porque o resultado é sempre bom. Estas situações são denominadas “win-win situation”. Não é fantástico?
A, quase, mesma conjectura pode ser aplicada na teoria matemática, basta, para tal, mudar-lhe o nome para “non-zero-sum” e está tudo dito.
Depois temos a prática, a aplicação das teorias na vida real, de carne e osso, com sangue suor e, às vezes, lágrimas. E não há teoria que resista. Há sempre um custo, uma dor, para nós, para outros, há sempre consequências nas acções.
Um lado pesado que implica sofrer. E custa, custa todos os dias. Muito!
Por isso, às vezes, preferia ser um teórico.

Teaser

"Les femmes ont besoin d'une raison pour faire l'amour.
Les hommes ont juste besoin d'un endroit"

Já concordei mais...

Amor omnia vinciti - Conto 2.1

Dizem que o timming é tudo.


Até quando se descobre a coisa mais perfeita do mundo... nem cedo demais, nem demasiado tarde.


Esta imagem também era a imagem certa para um conto que escrevi há uns dias, chegou foi tarde.

Mesmo assim, é demasiado bela para ficar de fora...


É assim que imagino O eclipse. :)


A Afinidade

A minha amiga Mata Hari mandou-me isto por email:





De um Tarot do Sec XIX.

Depois fui goglar:

"Que me perdoem os insensíveis e frios, mas amor é fundamental, preferencialmente acompanhado de carinho, companheirismo, amizade e (claro) tesão. Parece que o mundo em que vivemos passou a encarar os sentimentos com um certo sorriso irônico, como se fosse coisa para adolescentes bobinhos ou adultos "trouxas". Talvez por isso as pessoas tenham andado por aí tão deprimidas e buscando mil caminhos, mais rápidos ou não, para a auto-destruição.
Pois bem, o Ás de Copas trata exatamente dessa questão conceitual do amor"

Pois!

Fazer amor contigo é como ver o Benfica a marcar um golo na final da Liga dos Campeões

Futebol, aquela paixão que move multidões. Na parte que me toca não me considero um daqueles maluquinhos mas admito as emoções que de lá advêm. Dizem que podemos mudar de tudo menos de clube. Eu não posso dizer o mesmo, porque relativamente a este assunto sou um bocado Marco Paulo. Tenho dois amores, um de sangue, imposto lá em casa, principalmente por um irmão do meu pai que me levava em romaria a grandes e míticas quartas-feiras europeias em Lisboa. Depois mais tarde, surgiu o amor de coração, fruto de uma rica e plena vida académica. E assim fiquei, e por cá ainda ando, sem saber de qual eu gosto mais.
Mas por muito amor que se tenha a uma camisola, ou cor, nunca irei entender aqueles que conseguem comparar paixões clubísticas com qualquer outro tipo de sentimentos. Não me entra na cabeça como é sequer possível alguém dizer gosto tanto da minha namorada como gosto do meu clube.
Algo está errado! Tudo está errado, como é sequer possível comparar? Demonstra que há alguém que à partida acha que é comparável, que existe uma remota possibilidade de comparança entre ambos. Além de ser extremamente redutor para a mulher ser comparada assim desta forma é, ao mesmo tempo, sinal que algo ou alguém está desenquadrado. Além disso deve ser muito complicado para mulher ser assim assimilada mas isso depende de cada uma.
Mas ainda há pior. Há quem fique contente quando comparada ao clube de futebol. Uau! Falta aqui, um pouco, bastante, muita auto-estima e amor-próprio. Mas cada um tem, não o que merece mas o que faz por ter e nem sempre se consegue ter o que se merece. Mas desde que baste…
No que a mim me diz respeito seria muito complicado ver-me comparado com o quer que fosse seja a novela das 9 ou com uma saia da Lanidor.
Mas isso sou eu…

Se jogasses no céu...

A primeira vez que fomos apresentados, já lá vão mais de dez anos, foi numa mesa do bar da AAC, quando a alma do espaço ainda era personalizada pelo grande pequeno Coelho. Estava lá, no canto, junto à janela, com a minha amiga transmontada anafada que logo tratou de fazer as apresentações. Eu, jovem da casa, ele, grande repórter do antigo Independente, cara a cara. Tinha por ele consideração e respeito pelo poder que a sua caneta assumia, principalmente naquele mundo onde gravitava.
Fruto de uma sacanice dessa amiga, mandou uma história para cima da mesa, disse que eu é que sabia conta-la bem porque era protagonista e saiu rapidamente com a desculpa de um atraso para uma aula, fiquei frente a frente com ele numa situação nada simpática, eu pequeno, ele enorme.
Então não queres contar a tua versão da história? Indagou ele olhando nos meus olhos, bem fundo.
Sr. João, comecei eu, eu até contava mas no final quem fica mal é esta casa onde estamos e eu tenho-lhe demasiado amor para participar nisto.
Ele sorriu, deu-me com a mão no ombro e disse ainda bem. Eu também não ia ter prazer nenhum em escreve-la. E lá ficamos na conversa.


A ultima vez que o vi, foi no ano passado, num dos topos da Luz, éramos acompanhantes de onze Pardalitos do Choupal que iam contrariar a Águia no seu ninho. Ele chegou atrasado, trabalho disse ele, com um cachorro e uma cerveja sem alccol. Não havia como disfarçar, era cá dos nossos que os movimentos e os berros não enganam.
Na semana passada foi-se embora, foi na frente. Nada tínhamos em comum excepto uma briosa paixão, que basta para que sejamos tão próximos.


Aquele abraço